Desculpem a demora. É que os últimos dias têm sido cheios, como vocês devem imaginar.
Para nivelar as informações, vamos relembrar como tudo aconteceu, já que também fomos pegos de surpresa.
Se surpresa sim! Na terça-feira, dia 30/06, nós fomos na médica da Clície para os exames de rotina. Ela disse que estava tudo nos conformes e nos orientou a marcarmos a cesárea para o dia 06/07, numa segunda-feira. Não havia mais motivo pra esperar. A Alícia já estava prontinha e até já podia ter nascido, se nós quiséssemos. Ela só queria dar um tempo pra natureza. Quem sabe a Alícia não se agilizava.
Nesse mesmo dia, de noite, a Clície ficou bastante apreensiva. A ansiedade tomou conta dela. Depois de muita conversa, nós dormimos. Tínhamos que acordar cedo pra ir na Unimed liberar a documentação para internação.
Na quarta-feira, dia 01/07, ela acordou com algumas dores. Como não eram muito fortes, achamos que era uma dor de barriga e nos trocamos (gênios).
Depois de alguns minutos, as dores começaram a ser frequentes. Duravam uns 30 segundos, com intervalos de 5 a 7 minutos.
Fomos pra Unimed mesmo assim. Liberamos a guia e as dores foram aumentando. Como estávamos perto da maternidade, resolvemos passar lá pra pegar o telefone da médica.
Na maternidade, a recepcionista perguntou se não queríamos consultar com o plantonista, e depois ele passaria as informações para a médica.
A essa altura a Clície já andava um pouco curvada por causa das dores. O medico fez o exame, receitou um analgésico e mandou a gente pra casa. Segundo ele, a Clície estava entrando em trabalho de parto e poderia levar o dia inteiro. Fico pensando como um sujeito estuda anos, pra ver uma mulher barriguda, com dores, e dar um diagnóstico desses. Aqui vai uma lição. Nunca confie num medico plantonista!
Nós voltamos pra casa, e no caminho tentávamos falar com a médica da Clície. Ela estava atendendo e deixamos recado.
Quando chegamos em casa, ela ligou e disse pra voltarmos pra maternidade. Ela ia ligar e pedir a internação da Clície. A Alícia não quis esperar até o dia 06.
No caminho para a maternidade, a Clície chorava de dor. Eu tentava passar calma pra ela, mas por dentro estava apavorado!
Na maternidade, uma enfermeira baixinha veio buscar a Clície na recepção, enquanto eu ficava tratando da papelada. A enfermeira baixinha disse que já voltava pra me acompanhar até o quarto.
A moça da recepção me disse em tom de atendente de telemarketing “Senhor, não temos apartamento standard, teremos que acomodá-los num apartamento superior, sem custos adicionais. Tem algum problema”? Eu olhei pra ela, louco pra responder de maneira adequada, mas tinha mais com o que me preocupar.
A enfermeira baixinha voltou e me levou até o apartamento. Deixei as malas, botei a máquina fotográfica numa mão, a filmadora na outra e fui me preparar.
Enquanto me vestia, liguei pra todo mundo. Pedi pro Aldo dar o alerta pra um lado, liguei pro Rafael avisar o povo da minha casa em Paranavaí e avisei a Dona Neusa, o Arthur e a Sheila.
Depois que liguei, o telefone não parou mais de tocar. Atendi as ligações que consegui, mas estava muito preocupado com a Clície. Ela estava com muita dor e eles demoraram pra vir me buscar pra ficar junto dela.
Não passou mais que 10 minutos, mas pareceu uma eternidade. Finalmente a enfermeira baixinha me chamou e me levou pra sala de cirurgia que a Clície estava. Chegando lá, ela já estava deitada, com aquele pano verde com ela de um lado e os medicos do outro. E pra minha surpresa, feliz e sorridente! O que uma anestesia não faz!
Que parto normal que nada!
Preparei a filmadora, e disse pra doutora me avisar quando a bichinha estivesse apontando.
Não sei como mantive a mão firme, mas peguei o exato momento que ela botou a cabecinha de fora. Mesmo com toda "firmeza", dá pra notar minha voz de bobo dizendo pra Clície “ooh, ela é cabeludinha meu anjo”! Mas tudo bem, nessas horas a licença poética desculpa tudo.
Nesse momento a Alícia deu uma tossida e deu um chorinho manhoso, do tipo “ah, não sacaneia, tava tão quentinho lá dentro”. Dei uma suspirada de alívio! O sistema operacional dela foi iniciado com sucesso. Agora é só ir instalando os programas.
Sistema funcionando!
A pediatra levou ela pra limpar e fazer os testes de APGAR, que verificam entre outras coisas, batimento cardíaco, reflexos e tonus muscular. Depois me chamou. Elas colocaram a Alícia numa balancinha e eu registrei o peso oficial. A pediatra e a enfermeira falaram um monte de coisas, elogiando, parabenizando, etc. Confesso que nem prestei atenção. Enrolaram a Alícia como se fosse um cone-pizza e me deram. Ela chorava bastante, quando peguei no colo e falei alguma coisa do tipo “ô minha filhinha, papai tá aqui com você”. Ela deu uma resmungada e parou de chorar por uns instantes. A pediatra falou “viu, ela reconheceu sua voz”. Não botei muita fé nisso, até que levei ela pra Clície e coloquei as duas juntas.
Na hora, a Alícia começou a lamber o rosto da Clície, como se quisesse mamar. Não tem como descrever como é um bebê reconhecendo a mãe. Só não chorei na hora porque a adrenalina estava a mil.
Sem palavras!
Tirei mais algumas fotos e a enfermeira baixinha me tirou de lá. Fui me trocar e cheguei no apartamento.
Liguei pra minha casa, falei com o Rafael, com meu pai e depois com a minha mãe. Só consegui falar direito com ela, duas palavras: “oi mãe”, e comecei a chorar de soluçar. Acho que foi aí que a ficha caiu! Me vi no quarto sozinho, esperando a Clície e a Alícia chegarem. Pensei em tudo o que viria daquele momento em diante e claro, chorei de novo. E como é bom chorar de felicidade!
Primeiro banho!
Finalmente um momento de paz!


